Como conscientizar as lideranças sobre a nova NR-1 e a gestão de riscos psicossociais
Quem nunca ouviu que o maior fator de estresse no trabalho é a liderança? Grande parte das queixas corporativas não nasce das demandas em si, mas da forma como as relações são conduzidas no dia a dia, especialmente nas interações com gestores.
Por isso, conscientizar sobre a Nova NR-1 passa necessariamente pelas lideranças. São elas que influenciam diretamente o clima das equipes, o ritmo de trabalho e a maneira como as pessoas vivenciam suas atividades.
Na sua empresa, as lideranças atuam como fatores de proteção ou como fontes de riscos psicossociais? Como reagem diante de conflitos ou mudanças? Os líderes estão preparados para construir ambientes psicologicamente seguros?
O comportamento das lideranças impacta diretamente os riscos psicossociais da organização. Gestores que entram em pânico, culpabilizam indivíduos ou tomam decisões impulsivas tendem a aumentar o estresse coletivo. Por outro lado, líderes que mantêm clareza, comunicam-se com transparência e oferecem suporte funcionam como pontos de estabilidade em meio à complexidade.
Neste artigo, vamos abordar como preparar as lideranças para as exigências da Nova NR-1 e quais são os benefícios estratégicos de contar com uma gestão consciente e preparada.
O que mudou com a Nova NR-1 para líderes e gestores
Todo estresse, conflito ou sobrecarga impacta primeiro as pessoas e, consequentemente, os resultados organizacionais. Isso exige um novo tipo de preparo de quem lidera e de quem atua na gestão de pessoas. O cuidado com a saúde no ambiente de trabalho sempre existiu, mas a Nova NR-1 amplia esse olhar ao integrar formalmente os riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Os riscos psicossociais devem ser incorporados ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e documentados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso exige que as empresas:
- Realizem inventários e diagnósticos de riscos psicossociais por área
- Estabeleçam planos de ação com medidas preventivas e corretivas
- Monitorem indicadores de saúde mental e bem-estar
- Revisem periodicamente a eficácia das ações implementadas
Leia também: Nova NR-1: o que são riscos psicossociais no trabalho e como prevenir impactos nas empresas
Por que as lideranças são centrais na gestão dos riscos psicossociais
A Nova NR-1 demanda uma mudança profunda nas organizações, especialmente no papel das lideranças, do RH e da área de Segurança do Trabalho. É necessário que os líderes desenvolvam competências socioemocionais, capacidade de escuta ativa, empatia e consciência sobre o impacto das próprias decisões na saúde mental das equipes.
Afinal, o estilo de liderança pode funcionar como um regulador do ambiente emocional ou como um elemento que intensifica tensões. Posturas excessivamente controladoras e centralizadoras costumam gerar ansiedade, medo de errar e sensação constante de cobrança.
A NR-1 amplia a responsabilidade das lideranças. Gestores passam a atuar como agentes ativos na gestão de riscos psicossociais. Isso inclui:
Desenho do trabalho
É o gestor quem define prazos, distribui cargas de trabalho e estabelece metas. Metas irreais e sobrecarga são alguns dos principais fatores de risco psicossocial listados pelo Ministério do Trabalho. É preciso avaliar volume, complexidade e prazos com base na capacidade real da equipe, evitando sobrecarga crônica ou ociosidade improdutiva. A liderança deve monitorar demandas recorrentes, redistribuir atividades quando necessário e alinhar prioridades de forma transparente.
Cultura de apoio
O suporte da liderança funciona como um “amortecedor” de estresse. Um líder que comunica com clareza e oferece suporte reduz as chances de adoecimento emocional. A forma como comunicam expectativas, conduzem conversas, dão feedbacks ou reconhecem conquistas define o clima emocional da equipe.
Identificar sinais de adoecimento
Por estarem no dia a dia, os líderes são os primeiros a notar sinais de alerta, como queda de produtividade, mudanças bruscas de humor ou aumento de erros cometidos pela equipe. Mudanças comportamentais como irritabilidade frequente, queda de desempenho, isolamento, atrasos recorrentes ou aumento de conflitos interpessoais podem indicar sobrecarga emocional ou esgotamento.
Criar ambientes psicologicamente seguros
Ambientes psicologicamente seguros são aqueles em que colaboradores se sentem à vontade para expressar opiniões, relatar erros, sugerir melhorias e sinalizar dificuldades sem medo de punição ou exposição. A liderança exerce papel central na construção desse espaço ao incentivar participação, acolher vulnerabilidades e agir com coerência entre discurso e prática.
Como conscientizar lideranças e equipes sobre riscos psicossociais?
Se já está claro que a liderança desempenha um papel central na adequação à NR-1, o passo seguinte é transformar essa compreensão em ação. Isso significa estruturar estratégias concretas que preparem gestores para esse novo cenário. Conscientizar não é apenas informar sobre a norma, mas promover uma mudança consistente na cultura organizacional. Para engajar lideranças e equipes nas diretrizes da NR-1 e incorporar a prevenção de riscos psicossociais à rotina da empresa, é essencial investir em ações planejadas, estruturadas e contínuas.
1. Capacitação em gestão emocional
Muitos líderes ainda veem riscos psicossociais como algo “subjetivo”. O primeiro passo é mostrar que esses riscos são mensuráveis e impactam o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). Treine-os para diferenciar conflitos saudáveis de assédio moral e para entender como a desorganização do trabalho gera estresse crônico.
2. Dados que falam a língua do negócio
Apresente indicadores como o índice de absenteísmo, rotatividade (turnover) e custos com afastamentos previdenciários. Mostre que a saúde mental é um indicador de desempenho. Quando o líder percebe que um ambiente tóxico gera perdas financeiras e operacionais, o engajamento com a NR-1 se torna estratégico.
3. Workshops de segurança psicológica
Crie espaços onde a liderança aprenda a ouvir. A conscientização das equipes passa pela confiança de que podem falar sobre dificuldades sem sofrer represálias. Ambientes psicologicamente seguros são a base para o controle de riscos previsto na norma.
4. Treinamentos sobre saúde mental e NR-1
Programas de treinamento bem estruturados são fundamentais para transformar a teoria em prática e consolidar uma gestão de riscos psicossociais que funcione de fato no dia a dia. As capacitações devem abordar fatores como sobrecarga, assédio, pressão excessiva, conflitos e falta de autonomia, além de seus impactos na saúde, incluindo burnout, ansiedade, depressão e transtornos psicossomáticos.
Também é essencial esclarecer as obrigações legais previstas na NR-1, como a integração dos riscos psicossociais ao PGR, as responsabilidades das lideranças e as consequências do descumprimento.
5. Desenvolvimento de competências socioemocionais
O desenvolvimento de competências socioemocionais é estratégico para a prevenção de riscos psicossociais e para o fortalecimento de ambientes de trabalho mais seguros. Os treinamentos voltados a gestores e equipes devem desenvolver habilidades como:
- Inteligência emocional: reconhecer, compreender e regular as próprias emoções e as dos outros.
- Escuta ativa: presença genuína, atenção plena e uso de perguntas abertas para aprofundar o diálogo.
- Comunicação não violenta: conduzir conversas difíceis com respeito, clareza e responsabilidade.
- Gestão construtiva de conflitos: mediar divergências de forma estratégica, evitando escaladas e fortalecendo relações.
Leia também: Controle Emocional: O Que É e Técnicas para Melhorar
Benefícios de lideranças conscientes para empresas e equipes
- Redução de passivos trabalhistas: ao mitigar fatores como assédio e sobrecarga, a empresa reduz drasticamente o risco de processos judiciais e multas por descumprimento das normas de saúde ocupacional.
- Retenção de talentos: profissionais buscam ambientes saudáveis. Lideranças conscientes criam um “fator de proteção” que mantém os talentos na casa.
- Aumento da produtividade real: equipes que trabalham sob gestão equilibrada são mais criativas e eficientes. O foco deixa de ser o “gerenciamento de crises” e passa a ser a execução com qualidade.
- Fortalecimento da marca empregadora: empresas que levam a nr-1 a sério projetam uma imagem de responsabilidade social e governança (esg), atraindo melhores parceiros e investidores.
- Melhoria do clima organizacional: relações mais respeitosas e colaborativas, fortalecimento da confiança entre equipes e lideranças, e ampliação da segurança psicológica no ambiente de trabalho.
- Cultura organizacional mais sólida: maior coerência entre discurso e prática, senso de propósito compartilhado e mais resiliência diante de crises e mudanças.
Leia também:O Poder da Liderança Humanizada
Perguntas frequentes sobre a Nova NR-1 e riscos psicossociais
A Nova NR-1 obriga o treinamento de líderes sobre riscos psicossociais?
A norma exige que os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados e gerenciados no PGR. Como as lideranças influenciam diretamente esses riscos, capacitação se torna uma medida preventiva estratégica.
Líder pode ser responsabilizado por riscos psicossociais?
A responsabilidade legal é da empresa, mas gestores podem responder internamente por condutas inadequadas que gerem assédio, sobrecarga ou danos à equipe.
Como incluir riscos psicossociais no PGR?
É necessário realizar diagnóstico, registrar no inventário de riscos, definir plano de ação, monitorar indicadores e revisar periodicamente as medidas adotadas.
Quais são exemplos de riscos psicossociais previstos na NR-1?
Sobrecarga de trabalho, metas irreais, assédio moral, conflitos mal gerenciados, falta de autonomia e pressão excessiva.
Sua empresa está preparada para atender à Nova NR-1 na prática?
Organizações que se antecipam às exigências da NR-1 não apenas reduzem riscos legais, mas constroem ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis ao longo do tempo.
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